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Os meus cigarros.

13 de Maio de 2011

rapha

Meus cigarros têm nome, sexo, cheiro, paisagem e data de nascimento. Eu poderia muito bem entre uma tragada e outra olhar pra ele, perguntar “quem é você?” e começar uma conversa, porque sim, eles falam comigo. Me dizem coisas duras, coisas bonitas, coisas que nunca disseram e nunca vão dizer, tudo naqueles cinco minutos incríveis e irreais. E no fim, quando eu finalmente esmago sua cara no cinzeiro, aquela fumaça maldita que me invadiu acaba e deixa aquele rastro asqueroso, fétido e solitário.

E tem mais: atrás dos maços todos aqueles avisos sobre câncer, impotência, amputações. Ha! Como se o câncer assustasse quem quer morrer, ou pior, quem já está morto! Se eu pudesse mandaria escrever em todos os maços:  ”Pessoas são demitidas todos os dias, é a vida.” ou “Mais de 80 milhões de mulheres no Brasil. E daí que ela foi embora?”, “Pessoas velhas e animais de estimação morrem mesmo. Você também.”, e por aí vai, sabe? Acho que o que falta mesmo e a realidade nua, crua e na cara. A doença não é o câncer. A verdadeira doença do cigarro é achar lindo se esconder atrás daquela cortina de fumaça, criar um mundo onde os problemas vão se resolver sozinhos. Não vão.

A verdade é que meus cigarros não são meus. Meus cigarros só me usam.

Comentários

  1. barbara

    Sinto o mesmo...