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Estudo em Mi menor

07 de Maio de 2008

rapha

Depois de quase 5 anos, resolvi publicar essa música. Talvez por medo que alguém criasse uma música idêntica e eu ficasse puto, ou por medo de morrer, não deixar registrado e ficar puto, ou simplesmente para deixar de sem-vergonhice. Ok, eu preciso melhorar bastante as dinâmicas, mas as notas estão aí.

Na verdade essa é a primeira parte, e a idéia original é fazer 3 partes (ok, é clichê, mas é a idéia). A segunda já está iniciada, vamos ver se sai em menos de 5 anos dessa vez.

Existe também um outro caminho que eu queria dar para essa obra: fazer um arranjo para uma orquestra de violões. Já comecei também, mas é difícil gravar e guardar todas as idéias. Espero que o garage band + iMovie me ajude. Espero que gostem!

A morte e as Invasões Bárbaras

22 de Abril de 2008

rapha

Há algumas noites, assistimos “As Invasões Bárbaras[bb]“, um filme excelente. E não, não é um filme no estilo “300[bb]” ou nada que envolva invasões ou bárbaros.

A história gira em torno de um homem com câncer em estado terminal que vive em crise com seus familiares, e em crise consigo mesmo, por várias frustrações pessoais (talvez formando um círculo vicioso).

Falando objetivamente: as cenas são muito bonitas, as personagens são bem autênticas e a trilha sonora é bem feita. Mas levando pelo lado pessoal, me identifiquei profundamente com o roteiro, pois é o maior conflito que existe entre eu e a minha família hoje: a morte.

Sou a favor da qualidade de vida, acima de qualquer coisa. É cruel o modo como as pessoas persuadem os doentes a se tratarem mesmo quando não há esperança ou quando o tratamento comprometerá significamente a sua qualidade de vida. Meu avô descobriu recentemente que desenvolveu leucemia, e até onde eu sei ele não pretende tratar - atualmente a doença está assintomática, e só foi detectada através de exames de rotina. Eu acho isso uma das coisas mais sensatas que ele já fez, e o apóio incondicionalmente. Para que ele, nessa fase da vida vai se sujeitar a todos os efeitos colaterais de uma quimio / radioterapia, sendo que ainda há tempo de fazer tanta coisa antes que a doença venha a ser um problema de fato? Me pediram que eu conversasse com ele, e talvez o fizesse mudar de idéia. Acabei dando mais apoio. Ninguém é obrigado a pagar pelos erros das pessoas que acham que não passaram tempo suficiente com ele. Saudade passa. Já perdi grandes amigos, de forma natural e de forma trágica, e acredito que temos direito sobre a nossa vida.

Não acho que devemos nos matar por qualquer motivo, ou que nunca devemos tratar doenças terminais. Mas sempre deve existir o respeito à escolha, que deve ser tomada levando em conta a sua relação com o mundo.

O que eu me questiono é: morrer (ou estar bem próximo disso) é como ter um filho? Você imagina milhares de coisas, mas existe uma chance grande de tudo ser como você não espera? Nunca morri ou tive filhos, mas vejo a transformação pela qual as pessoas passam após tornarem-se pais e mães.

Realmente, não faço idéia de como será a minha reação ao chegar perto da morte. Hoje, não acho que seria tão complicado, mas não posso antecipar nada. Ainda não sou pai.

Podem me chamar de egoísta, mas pelo menos vou morrer tranquilo ;D