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descabelado.

15 de Fevereiro de 2011

rapha

sabe uma coisa que eu gosto? quando no fim do dia eu olho no espelho e estou completamente descabelado e com cara de cansado. é como dizer pra mim mesmo: “você passou por muita coisa hoje hein. Vai dormir porque você merece. Amanhã é um outro dia e um outro lugar.”

numb

14 de Fevereiro de 2011

rapha

if you can’t smell the blood, if you can’t smell the sweat, if you can’t feel your limbs, you’ll never make your way to happiness. you’re just not moving at all.

a geladeira.

12 de Fevereiro de 2011

rapha

as vezes a geladeira fede não por estar suja, mas por estar vazia.

Furacão

11 de Fevereiro de 2011

rapha

No meio do furacão só se vê poeira e destroços.
É preciso esforço e trabalho pra ver um pouco além, mas tudo vale a pena quando você consegue enxergar, nem que seja somente o contorno de uma colina. Existe vida lá fora, e uma vez que você enxergou isso, sempre será possível. Agora é o vento que tem que se esforçar para tirar você do seu lugar.

passado

07 de Fevereiro de 2011

rapha

mudar o passado é ter uma vida com pais melhores, mais dinheiro, mais amigos, menos dor, mais amor.

aquele homem escolheu o passado. e quando não percebeu, estava morto.

Turbilhão.

06 de Fevereiro de 2011

rapha

Olha, sei que te magoei, e a cada dia que passa inevitavelmente acabamos nos machucando mais. E isso é de certa forma algo involuntário, pois ao escolhermos nos separar é necessário aceitar que cada um siga com a sua vida. Como falamos hoje, é indiscutível que pra eu lidar com esse processo é mais ‘fácil’, ou melhor, menos doloroso, do que pra você. Mas com certeza existirão momentos de dor e sofrimento durante este processo. Mas nada impede que também apareçam momentos de prazer e alegria, quando cada um de nós conseguir seguir em frente e se distanciar destas feridas que foram abertas.

Não digo que é algo fácil, instantâneo ou mágico. Mas é um processo que será elaborado com o tempo, e no momento certo a dor, o ódio e a angústia acabarão por ir embora. Como em um luto: o momento inicial é confuso, turbulento e inesperado, inicialmente insuperável. Mas isso geralmente prova-se completamente errado.

É injusto pedir para que você aceite tudo sem questionar ou se posicionar. Fazer isso é querer que você reprima seus sentimentos, é pedir para que que você deixe de ser quem você é. Mas ao mesmo tempo precisamos aceitar que existirão situações desconfortáveis e delicadas, onde teremos mesmo que sentar e conversar, da forma que temos feito desde que tudo isso começou.

Não estou pedindo desculpas ou perdão – é absurdamente injusto cobrar isso de você. Só quero dizer que a cada dia que passa, estamos nos comunicando de forma cada vez melhor, e espero que isso continue assim. O futuro é incerto: estando juntos ou não. Logo, como você mesmo disse: precisamos aceitar este momento e vivê-lo de forma a tirar dele o máximo que nos é oferecido. Sabe?

O homem com uma bola preta no peito.

02 de Fevereiro de 2011

rapha

Quando nasceu, W. tinha algo curioso: era um bebê aparentemente normal, mas no meio do seu peito havia um buraco vazado, mais ou menos do tamanho de uma bola de tênis. Apesar de diferente – os médicos chamavam de uma curiosidade científica – , ele vinha de uma família onde todos haviam nascido com essa peculiaridade. Sua mãe, por exemplo, tinha o peito com um aspecto de uma peneira, como se aquele buraco tivesse se transformado em milhares de mini-furos. Seu avô, por outro lado, parecia ter sido alvejado por tiros: 8 ou 9 furos com mais ou menos 13mm de diametro. Então ninguém criou muito alarde, o tempo diria como esse “vazio” – por assim dizer- iria se fechar.

Anos se passaram e aconteceu o inesperado: a peneira da sua mãe se transformou em uma rede. Depois de rede, em um buraco, e depois disso tomou o seu corpo de uma forma onde a única coisa que restava era  uma massa negra, pegajosa, esparramada no chão. E isso aconteceu não só com ela. Seus avós, uma tia, seu pai: nada restava deles além dessa massa. Era como se aquele vazio, que até então era uma mera curiosidade, fosse algo tóxico ou patológico como uma espécie de câncer. Uma forma viva.

Nessa hora W. – naquele momento ainda menino – com medo de ter o mesmo destino pegou aquela massa que restou dos seus parentes e começou a preencher o seu peito na esperança de algum dia conseguir reconstruir o que foi embora. Na esperança também de acabar com aquele vazio, com medo de que ele também criasse uma vida própria e acabasse com sua própria existência. Se ele conseguisse preenche-lo, talvez conseguiria salvar sua vida. Trocou o seu vazio por uma bola preta, em boa parte composta pelo resto dos seus familiares e o restante por fragmentos de experiências que ele vivenciava e coletava pelo caminho da sua vida.

Inútil. Mal ele sabia o que lhe aguardava: um dia durante o seu trabalho sua bola preta esboçou um movimento. O suficiente para lhe causar um calafrio, mas tão sutil ao ponto de não ter que se preocupar. Segundos depois um outro movimento, mais brusco. E naquele momento a massa negra havia crescido 5cm. E então, em um movimento incontrolável, ela se mostrou viva e cresceu. Cresceu ao ponto de vazar do seu peito, ao ponto de tomar conta do seu corpo, de sair dos seus poros, olhos, boca e nariz, e a dor era excruciante. Se você olhasse para W. nesse momento era impossível distinguir quem era W. e quem era a massa: eram um só, indistinguíveis em um movimento incontrolável. Mas na velocidade que se iniciou, acabou-se: em poucos segundos aquela substancia viva se desprendeu do seu corpo e caiu no chão, deixando apenas um homem com um buraco no peito, da forma que ele havia nascido.

Havia chegado a hora de criar uma forma de preencher aquele vazio tóxico com algo que fosse só de W. Trocar a bola preta por algo que fosse realmente seu.

natimorto

26 de Janeiro de 2011

rapha

a vida só é fácil para o natimorto.

Àqueles que caminham.

24 de Janeiro de 2011

rapha

Quando se está na mão do outro, a única coisa que existe é o sofrimento.

Nesta situação, nunca haverá uma felicidade genuína, honesta, verdadeira. A sua realidade – e consequentemente sua existência – se resume a uma ilusão. Algo ditado, planejado de tal forma a satisfazer desejos que não são seus.

Existir é sentir a existência. É provocar o mundo e receber. É ser provocado pelo mundo, e devolver.

E é somente enquanto provoco que consigo construir a minha realidade no mundo, agir no plano da existência e sair do plano da fantasia.

Nesta dança interminável, cabe apenas escolher guiar ou ser guiado. Estar passivo é ser apenas um ponto de absorção e não um ponto de reflexão.

Como disse Antonio Machado: ”Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”.

impacto

01 de Dezembro de 2010

rapha

tudo se torna um impacto muito grande. acho que porque pra mim viver é se debruçar em cima da existência, senti-la em cada poro. talvez seja isso a graça e a desgraça da vida. é a dor e o gozo que nos tornam vivos?

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